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quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Fisioterapia e a síndrome de Down

A avaliação inicial da criança com Síndrome de Down deve ser holística, sendo importante estar alerta aos problemas associados à síndrome, tais como hipotonia, redução da força muscular, hipermobilidade articular, pés planos, escoliose, alterações respiratórias, instabilidade atlânto-axial, doença cardíaca congênita, deficiências visual e auditiva, presença de doenças convulsivas. Com esses dados, o fisioterapeuta é capaz de analisar as necessidades de cada criança e de sua família, planejando orientações e intervenções apropriadas para cada situação.

O principal objetivo da fisioterapia é criar condições para explorar o potencial motor da criança, direcionando-a nas sucessivas etapas do desenvolvimento motor e auxiliá-la na aquisição de padrões essenciais e fundamentais do desenvolvimento, preparando-a para uma atividade motora subseqüente mais complexa. Os objetivos específicos são determinados de acordo com a faixa etária ou fase do desenvolvimento. Para alcançar esses objetivos são utilizados métodos que propiciarão maior independência, autoconfiança e ampliação da relação com o meio ambiente.
O objetivo da fisioterapia não é tentar igualar o desenvolvimento neuropsicomotor da criança com síndrome de Down ao de uma criança comum nem exigir da criança além do que ela é capaz, mas auxiliá-la a alcançar as etapas desse desenvolvimento da forma mais adequada possível, buscando a funcionalidade na realização das atividades diárias e na resolução de problemas.
A estimulação bem estruturada pode promover o desenvolvimento da criança, minimizando suas dificuldades e evidenciando a possibilidade de melhores respostas à experiência e adaptação a condições mutantes e a estímulos repetidos. A estimulação adequada torna consciente pra a criança os gestos da vida diária.
Os primeiros meses de vida são fundamentais para a estruturação de nossas potencialidades: as primeiras expressões do bebê são essencialmente motoras grande variedade de pequenos movimentos que fazem parte de um sistema complexo e organizado que irá influenciar no seu bem-estar, presente e futuro. Os primeiros movimentos são reflexos, porém, durante o seu desenvolvimento, a criança os refinará e os tornará mais precisos, reunindo todas as sensações motoras para chegar a gestos globais, tais como erguer a cabeça, sentar-se e ficar em pé.
A criança necessita de pré-requisitos para conseguir passar adequadamente para etapa seguinte do desenvolvimento neuropsicomotor, não se deve tentar pular fases para adiantar o processo, até mesmo porque a criança terá apenas prejuízos. De que adianta andar precocemente se ela é incapaz de se equilibrar ou manipular objetos de forma ordenada? A criança necessita de segurança e controle motor para avançar em seu desenvolvimento.
É importante ressaltar que cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, que deve ser percebido e respeitado. A deficiência não determina como será o desenvolvimento de ninguém. Cada síndrome tem suas próprias características e cada criança as apresentará de forma diferente. O que importa é respeitar a individualidade da criança e determinar a linha de tratamento a partir disso.
O Conceito Neuroevolutivo Bobath é um dos mais adequados ao tratamento das crianças com Síndrome de Down por estar de acordo com os objetivos do trabalho realizado com bebês. O trabalho de correção postural é realizado com crianças e adolescentes através de métodos ortopédicos e de reeducação postural global, como Iso-stretching e RPG.

Fonte:APS-DOWN

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Reaprenda a viver com a RPG


Reeducação postural global, a popular RPG, é uma técnica que se dedica a ensinar novamente as pessoas a se posicionar de forma correta, a se sentar e até a respirar adequadamente. Os exercícios ajudam a eliminar dores e podem evitar surgimento de novos problemas.


Dor, fisgada, queimação. As denominações para os desconfortos que acometem músculos, ossos e articulações são variáveis, mas a desagradável sensação atinge a todos, não importa a idade, a raça ou o sexo. Quem nunca se queixou ou sofreu com dores no sistema músculo-esquelético, que compõe a máquina complexa que é o corpo humano? Quando não é decorrente de acidentes ou de processos degenerativos que alteram a anatomia humana, a dor sinaliza que a postura está alterada. E é ela, a postura, o foco da reeducação postural global, técnica da fisioterapia desenvolvida na França há três décadas, a conhecida RPG. O método corrige lesões e deformações do corpo, além de ensinar o paciente a se posicionar de forma correta, curando lesões, evitando novos problemas e proporcionando equilíbrio.

As tensões da vida contemporânea e a falta de movimentação corporal têm transformado o homem em um ser sentado e curvado. É o que acredita o fisioterapeuta Oldack Borges de Barros. Ele explica que, diferentemente da fisioterapia tradicional, a RPG não trata apenas o local lesionado. “Nossos músculos estão interligados em cadeias que interferem umas nas outras. Na RPG, tratamos a causa do problema, não apenas o sintoma. Avaliamos o paciente a partir do local da queixa, mas distinguimos os mecanismos de compensação que desencadeiam a dor. Uma lesão na coluna pode ser resultado de um problema no pé. Para se livrar da dor, a pessoa passa a pisar torto e compromete os músculos e as articulações de todo o sistema”, esclarece o fisoterapeuta, presidente da Sociedade Brasileira de RPG.

A RPG pode trabalhar todos os problemas atendidos pela fisioterapia, com a vantagem de ser um tratamento global voltado para as limitações individuais de cada paciente. Isso porque, segundo Oldack, ninguém sofre de forma igual, ainda que a região do corpo comprometida seja a mesma. Desvios na coluna, pés chatos, males dos joelhos, hérnias de disco, mazelas decorrentes de alterações neurológicas, tendinites, doenças causadas por esforço repetitivo e contusões sofridas por esportistas são todos exemplos de transtornos abordados pela técnica.

No primeiro encontro com o paciente, são avaliadas sete zonas do corpo para identificar a causa da dor e da alteração postural. “Examinamos cervical, a lombar, o quadril, os joelhos, os pés e os ombros, além de verificar o fluxo da respiração do indivíduo, detalhe que compromete radicalmente o equilíbrio postural da pessoa. O homem desaprendeu a respirar e passa a maior parte do tempo sentado de forma incorreta. Temos uma defasagem entre o ar que entra e o que sai dos pulmões. Esses fatores passam desapercebidos até surgirem as dores e os desequilíbrios”, enfatiza.

Passos
 
Depois da avaliação, o fisioterapeuta traça o planejamento da terapia, que contempla atividades para eliminar as dores e corrigir a postura. Os profissionais lançam mão de oito exercícios, que fortalecem os músculos dinâmicos, responsáveis pela movimentação corporal, e alongam os estáticos, encarregados de manter o corpo em pé. Na sessão de RPG, que dura no mínimo uma hora, são trabalhadas posturas — movimentos lentos, graduais e progressivos no paciente. “O objetivo é alongar e descomprimir o corpo, permitindo que os músculos voltem a ficar nas posições fisiologicamente corretas. O sistema músculo-esquelético é ajustado o tempo todo e o paciente tem uma participação muito ativa no tratamento”, observa Priscila Jacarandá Moreira, fisioterapeuta que aplica a técnica em Brasília. “Os desajustes na postura são vivenciados por crianças e adolescentes. Isso é mais comum do que se pensa. A RPG é indicada a partir da idade em que o jovem paciente consiga ter a disciplina para trabalhar a sustentação da postura. Não tratamos a doença, mas o indivíduo”, acrescenta.

O especialista fica ao lado do paciente o tempo todo, para não permitir desvios da posição trabalhada. Assim, a postura é assimilada e o corpo vai resgatando o equilíbrio aos poucos. Para quem está de fora parece fácil, mas aqueles que passam pelo tratamento admitem saírem cansados da sessão. O estudante Dayver Clavo Medeiros Veiga, 16 anos, sofre com uma escoliose que vinha lhe tirando o sono. “Sentia dores intensas na região peitoral. Cheguei a consultar um cardiologista, imaginando que estivesse com um problema cardíaco. Tomei remédios sem necessidade até começar a terapia da RPG. Gostava de malhar e precisei parar, pois a sobrecarga de peso agrava o desvio da coluna”, conta. “Também passei a ter dificuldades para assistir a aulas, porque permanecer muito tempo sentado provoca grande desconforto. A dor altera nossa vida.” Dayver passou por seis sessões de RPG e já sente a diferença. “Não tinha flexibilidade nenhuma. Meu corpo estava travado. Na terapia, aprendi a equilibrá-lo de maneira adequada e consigo respirar melhor. Praticamente não sinto mais dor”, acrescenta.

Alívio
A promotora de eventos Francisca Aguiar da Silva, 37 anos, tem uma doença degenerativa na coluna vertebral. A dor e os torcicolos constantes roubaram a qualidade de vida que ela sempre buscou. “Não conseguia mais trabalhar em paz e a vida social estava estagnada. Não dormia e nem encontrava posição para me livrar do desconforto. Na rua, tropeçava com frequência. Meu corpo estava completamente desequilibrado”, conta. Depois de 16 sessões de RPG, a rotina mudou. Francisca comemora o avanço e diz que a terapia lhe ensinou a reconhecer o corpo, a se posicionar. Os torcicolos não ocorrem mais e ela ganhou confiança para caminhar sem tropeços. “Confesso que desconfiei e resisti em aderir ao tratamento. Achei que fosse simples demais e que não traria resultados. Fiz 16 sessões e hoje me considero outra pessoa. Nunca mais senti dor e não vou abandonar a RPG nunca. Ela me ensina mais a cada dia”, garante.

O ortopedista Denys Aragão explica que a técnica tem sido muito indicada por médicos que conhecem os benefícios. “A RPG proporciona resultados imediatos. Os pacientes conseguem curar os problemas e aprendem a conhecer o próprio corpo. A terapia atua no sistema nervoso central, o que estimula a pessoa a manter a postura correta, evitando novos danos que comprometem o sistema músculo-esquelético. Indicamos para dores lombares e articulares, lesões de meniscos, tendinites, bursites, deformidades torácicas e desvios na coluna”, pontua.

Palavra de especialista
Ajuda às gestantes
A reeducação postural global foi adotada pelo Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) há 10 anos, para tratar a lombalgia em gestantes. Estudos realizados em diversas partes do mundo revelam que 90% das mulheres grávidas sofrem com dor na lombar. Quando não cuidado, o desconforto tende a piorar com a evolução da gestação. As gestantes com idade mais avançada são as mais atingidas, mas cerca de 60% das adolescentes também passam pelo desconforto. Até o quarto mês de gravidez, trabalhamos com a RPG e outras técnicas da fisioterapia sem que os exercícios tragam qualquer dano para esse tipo de paciente. Depois desse período, a barriga não permite as posições. Nessas pacientes, o propósito não é alterar a postura, mas minimizar as consequências provocadas pelas alterações fisiológicas da gestação. O resultado é extremamente positivo. Em duas sessões, as gestantes se livram da dor. Recomendamos que a RPG seja utilizada antes de a mulher engravidar, para corrigir o que precisa ser corrigido e fortalecer a musculatura.
Miriam Diniz Zanetti, fisioterapeuta e doutora em obstetrícia da Unifesp.

Problemas Tratáveis

Ortopédicos
Escoliose, cifose e lordose
Dores na coluna cervical e dorsal
Pés planos e cavos
Joelhos valgos (para fora) ou varos (para dentro)
Doenças ocupacionais relacionadas ao trabalho (Dort)

Neurológicos
Hérnia de disco
Labirintite

Reumatológicos
Fibromialgia
Síndrome miofascial
Artrite
Artrose
Tendinite
Bursite

Respiratórios
Asma
Bronquite

Somáticos
Estresse
Distúrbios circulatórios e digestivos

Oculares
Estrabismo

Fonte: Correio Braziliense, por Márcia Neri.