sexta-feira, 5 de junho de 2015

Pacientes ficam sem atendimento em clínicas de fisioterapia

Fisioterapeutas e operadoras de saúde não conseguem chegar a um acordo, e muitos pacientes estão sem conseguir atendimento no Estado. A classe alega que as empresas estão pagando muito abaixo do Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos (RNPF). Como consequência, o Conselho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional da 1ª Região (Crefito-1) endureceu a fiscalização e está autuando estabelecimentos que não funcionarem dentro dos níveis adequados de remuneração.

Com receio de serem punidos, fisioterapeutas e clínicas estão vendo-se forçados a não atender beneficiários de planos. “Não há ordem do conselho para parar”, enfatiza o presidente do Crefito-1, Silano Barros. Segundo ele, “as operadoras estão remunerando a valores ridículos, de R$ 5, R$ 6, R$ 7”. O valor ideal de remuneração varia de acordo com o procedimento, mas, diz ele, é, em média, de R$ 42. “As clínicas, para se manterem vivas, trocaram qualidade por quantidade”, comenta.

Barros explica que, no final de 2014, passou a valer a Resolução 363 da ANS (Lei 13.003) “que deixa claro que operadoras têm que respeitar o código de ética das profissões. E nosso código diz que fisioterapeutas não podem atender por um valor menor que o referencial, levantado pela FGV, que leva em consideração tempo e custos”. A punição do conselho vai desde multa administrativa até processos éticos e ações judiciais.

A aposentada Eliane Pereira, leitora do JC enviou e-mail à redação contando seu problema. Ela faz fisioterapia desde 2013, paga R$ 1,2 mil de plano e, mesmo com a guia para nova rodada de sessões, não consegue atendimento. Quem já tinha guia aberta está assegurado. O presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais de Pernambuco (Sinfito-PE), Flávio Maciel, reconhece o efeito negativo para a população, mas defende que é um movimento para forçar operadoras a rever contratos.

Diretor regional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Flávio Wanderley comenta que esse é um movimento nacional da categoria e frisa que o Sindicato Nacional das Empresas de Medicina de Grupo (Sinamge) está aberto ao diálogo. “A palavra de ordem é negociação, as partes vão sentar e tentar obter o maior resultado possível”. Ele acredita que a discussão passa por um problema econômico maior e o que está acontecendo é também uma seleção natural do mercado.


Por Raissa Ebrahim -jconlineblogs

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