Independentemente da sua posição, a vacinação contra o sarampo é uma
das intervenções mais seguras da saúde pública até agora na história.
Antes das campanhas de vacinação em massa, cerca de 4 milhões de pessoas
tinham sarampo nos Estados Unidos a cada ano, das quais, em torno de
500 pessoas morriam, 48.000 foram hospitalizadas e 4.000 sofreram algum
edema cerebral grave. Mas, graças a campanhas de imunização, os casos
caíram mais de 99%.
Os cientistas sabem há algum tempo que o sarampo baixa profundamente o
sistema imunológico. Porém, desde a introdução das campanhas de
vacinação em massa, os cientistas observaram alguns efeitos
surpreendentes que sugerem que há mais para se estudar sobre o sarampo.
Por exemplo, a imunização do sarampo em alguns dos países mais pobres do
mundo tem reduzido as mortes globais de crianças em 90%.
Embora os cientistas não tenham certeza do mecanismo exato por trás
deste aparente efeito protetor, trabalhos recentes em macacos começaram a
lançar uma resposta sobre este mistério. Após a esperada redução dos
glóbulos brancos de proteção após a infecção, os seus sistemas
imunitários rapidamente se recuperaram dentro de algumas semanas. No
entanto, um grande número destas novas células que surgiram a partir da
abundância de células específicas do sarampo, resultaram a partir da
infecção.
Para examinar melhor esta ideia, os cientistas da Universidade de
Princeton começaram a coletar dados sobre casos de sarampo e de mortes
causadas por outras doenças infecciosas, pré e pós-campanhas de
vacinação em massa, em três países: nos EUA, Reino Unido e na Dinamarca.
Conforme descrito em artigo publicado na Science, eles descobriram
que a infecção do sarampo detêm resistência a outras doenças por até 3
anos. Além disso, eles encontraram uma estreita relação entre a
incidência do sarampo e mortes por outras doenças infecciosas durante
este período vulnerável após a vacinação contra o sarampo, indicando que
a vacina protege mais do que apenas o vírus do sarampo.
“Em outras palavras, reduzindo a incidência do sarampo, pode-se haver
uma queda nas mortes por outras doenças infecciosas devido aos efeitos
indiretos do sarampo sobre o sistema imunológico”, o pesquisador-chefe
Bryan Grenfell, que explicou em um comunicado à imprensa.
Desde que o estudo mostre a evidência para o efeito protetor da
vacina contra o sarampo, mais estudos serão necessários para confirmar
suas descobertas. No entanto, os pesquisadores já estão planejando em
explorar potenciais mecanismos imunológicos adiante.

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